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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ponto de equilíbrio

Sempre imaginei que não houvesse um ponto de equilíbrio. Pensei que tudo devia ser um extremo, que pras coisas funcionarem, elas precisassem de mais do mesmo. Por exemplo, pensei que fogo só prestava com mais fogo, com gasolina, nitroglicerina, explosões, fogo multiplicado ao infinito. Mas penso que extremos talvez explodam juntos, aumentem as coisas, e no fundo, se acrescentam, se complementam.

Aí eu descobri que existem Estranhos-parecidos. É como um punhado de terra estrangeira que é jogada em outras terras. Continua terra, o mesmo elemento. Mas ainda assim, não exatamente igual. Áries com ascendente em Gêmeos, extremos, fogo e ar. Como Capricórnio e Peixes. A lua assistindo tudo lá de cima. Por um lado transborda, pelo outro contém. É uma loucura controlada, mas ainda sim, loucura.
Aí esses estranho-parecidos se encontraram e a rádio entrou na freqüência, Moraes Moreira foi quem cantou os primeiros versos:

..Escute essa canção
Que é prá tocar no rádio
No rádio do seu coração
Você me sintoniza
E a gente então se liga
Nessa estação...

E há quem pense que o vento apaga uma fogueira. Mas há a brasa, que é o mais importante, continua acesa, como o incenso de patchouli queimando transbordando sua essência, e, quando aquela labareda sobe e queima mais do que devia, sem controle, lá vem o vento leve, livre, solto, o ponto de equilíbrio – fundamental, você.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Preciso tanto dizer-te agora as coisas que guardo comigo. Tanta coisa reprimida, talvez coisas pesadas, palavras que não agüento em mim, que não consigo carregar – que não quero mais carregar.

Não quero que penses que sou fraco, que não me agüento comigo e com essas palavras ditas num domingo sem luz. Não tem nada a ver com agüentar, com conseguir. É coisa de querer mesmo. Eu não queria mais me ver sozinho agüentando todo o peso, não queria te por em risco. Porque hora ou outra ia ceder, tu sabe que ia ceder. E não quero que me digam agora que fui fraco, que eu devia ter tentando. Não fico mais pra ver o fim do show, não espero mais o último pilar ceder pra ver toda a estrutura cair. Inclusive acho essa atitude que tomo agora de abrir mão do peso, de conseguir se soltar sem se preocupar, mais difícil do que a atitude antiga de me prender a tudo com facilidade imensa.

É difícil deixar pra trás.

É difícil mesmo não olhar pra trás, partir inteiro

Mas é que Chovia constantemente naqueles dias, a chuva e o vento tentavam incessantemente levar embora uma sujeira que vinha se impregnando há tempos na rua, nas paredes, nos telhados, na minha epiderme, naquela cidade que ia se apagando a cada dia diante dos meus olhos e que ia se enchendo de cinzas, cinzeiro transbordando de nada, do mais puro nada, em vão, como aquela vida que vinha vivendo, vida cinza. Aí eu acordei e pensei que talvez não devesse ser assim, realmente não devia ser assim.

Não quero mais o vazio das vidas cinzas e nulas, quero antes as c(d)ores e a alegria de uma poesia sem rima." [André Luiz]