Mostrando postagens com marcador Ana Jácomo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ana Jácomo. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de junho de 2011


''Aprendi com o tempo das fugas e com o resultado de cada uma delas que podemos adiar o encontro do nosso olhar com os olhos perturbadores da dor, mas não tem jeito: em algum quarteirão da vida, eles vão se encontrar. Por isso, agora, toda vez que acontece, escolho ficar em casa. Escolho encarar de uma vez. Mergulho inteirinha, protegida com o escafandro da fé e do amor que me habitam.
É o que aprendi com as dores.
E a vida é tão mágica que, lá no fundo mais fundo do oceano nada pacífico de cada uma delas, lá no instante ou quase em que a pilha da lanterna acaba, a gente descobre um jeito novo, muito lindo, muito nosso, comovente muitas vezes, para conseguir emergir e transformar o que parecia impossível de transformação. E não é exagero dizer que geralmente emergimos mais corajosos. Mais ternos. Mais bondosos. Mais nós mesmos. Mais conscientes do que, de verdade, nos importa.
No fundo mais fundo, não é raro nos sentirmos sozinhos. Estamos doendo tanto que, pra começo de conversa, a nossa própria presença nos falta, isto que é a mais perigosa solidão. Mas é um engano temporário, comum nos tempos em que os nossos olhos estão embaçados demais pelo medo: tanto faz o aparente e transitório tamanho da solidão, não estamos sozinhos nunca. E não estamos mesmo.

O amor, não importa de que forma se manifeste, encontrará maneiras para nos tirar lá desse lugar com recursos às vezes inimagináveis. ''

sábado, 26 de março de 2011

"Tudo passa, o que queremos e o que não queremos que passe,
a tristeza e o alívio coabitam no espaço desta certeza.
Eu não tenho muitas respostas. O que eu tenho é fé.
A lembrança de que as perguntas mudam. Um modo de acreditar que os tiquinhos de sol possam sorrir o suficiente para desarmar a sisudez nublada de alguns céus.
E uma vontade bonita, toda minha, de crescer.


Ana Jácomo

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"Porque quem ama vê miudezas com olhar suficiente pra nunca mais se perderem."

(Ana Jácomo)

sábado, 14 de agosto de 2010


Que eu saiba as minhas asas, ainda que com medo.
Que, ainda que com medo, eu avance.
Que eu não me encabule jamais por sentir ternura.
Que eu me enamore com a pureza das almas que vivem cada encontro com os tons mais contentes da sua caixa de lápis de cor.
Que o Deus que brinca em mim convide para brincar o Deus que mora nas pessoas.
Que eu tenha delicadeza para acolher aqueles que entrarem na roda e sabedoria para abençoar aqueles que dela se retirarem.
Que, durante a viagem, eu possa saborear paisagens já contempladas com olhos admirados de quem se encanta pela primeira vez.
Que, diante de cada beleza, o meu olhar inaugure detalhes, ângulos, leituras, que passaram despercebidos no olhar anterior.
Que eu me conceda a benção de ter olhos que não se fechem ao espetáculo precioso da natureza, há milênios em cartaz, com ou sem plateia.
Quero aprender a ser cada vez mais maleável comigo e com os outros. Desapertar a rigidez. Rir mais vezes a partir do coração.
Ana Jácomo

quarta-feira, 30 de junho de 2010

'Podemos escolher o que queremos criar. Onde demoramos mais
os nossos olhos. Com o que alimentamos o nosso coração. O que
propagamos sutilmente no mundo.'

quarta-feira, 23 de junho de 2010




Ficou na memória dos meus olhos o clarão do sorriso dos seus.
Depois disso, tudo o que sorri pra mim com algum sol faz eu lembrar de você.

terça-feira, 22 de junho de 2010

'Não é raro, tropeço e caio. Às vezes, tombo feio de ralar o coração todinho.
Claro que dói, mas tem uma coisa: a minha fé continua em pé.'

sábado, 19 de junho de 2010

Não é raro, tropeço e caio. Às vezes, tombo feio de ralar o coração todinho. Claro que dói, mas tem uma coisa: a minha fé continua em pé.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

'Somos capazes de resultados que não esperávamos.
De mudanças que já não acreditávamos ser possíveis.
De improvisos maravilhosos.'


'Não antecipe as minhas palavras. Não se impaciente com o meu tempo de dizer. Não me pergunte coisas que vão fazer a minha razão se arrumar toda para responder...'
'Hoje eu não quero aquelas conversas que muitas vezes acontecem somente para preenchermos o tempo. Para tentarmos calar a boca do silêncio. Para fugirmos da ameaça de entrar em contato com um monte de coisas que o nosso coração tem pra dizer. Além do necessário, hoje não quero falar só por falar nem ouvir só por ouvir. Que a fala e a escuta possam ser um encontro. Um passeio que se faz junto. Um tempo em que uma vida se mostra para a outra, com total relaxamento, sem se preocupar se aquilo que é mostrado agrada ou não. Se aumenta ou diminui os índices de audiência.'
'Não quero o blablablá encharcado de negatividade que grande parte das vezes não faz outra coisa além de nos encher de mais medo. Não quero falar sobre a hipocrisia que prevalece, sob vários disfarces, em tantos lugares. Hoje, não. Hoje, não dá. Não me interessam o disse-que-disse, os julgamentos, a investigação psicológica da vida alheia, os achismos sobre as motivações que fazem as pessoas agirem assim ou assado, o dedo na ferida.'


'O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja.'

quinta-feira, 29 de abril de 2010



Lá de cima, olhando do 30º andar, as ondas do mar pareciam outra coisa: outro tamanho, outra intensidade, outro desenho, diante daquela imensidão. Pequenos e esparsos movimentos, um bocadinho crespos, no tecido aparentemente liso, aparentemente plácido, das águas. Mesmo olhando numa perspectiva bem diferente da habitual, era possível perceber que a cara daquele mesmíssimo mar era outra para quem estava lá embaixo, dentro dele, interagindo com ele, olhando de lá. Era possível perceber, principalmente, pela dança dos corpos quando as ondas quebravam na arrebentação. Corpos subiam, corpos desciam, alguns eram lançados na direção da areia. O mar era o mesmo. A experiência, não.

Lá de cima, olhando do 30º andar, eu lembrei que alguns problemas da gente cabem sem aperto nem sobra no que sugere essa metáfora. Às vezes, quem olha de fora, quem olha de longe, pode achar que eles são pequenos porque simplesmente não está dentro deles, interagindo com eles, subindo, descendo, de quando em quando sendo arrastado. Lembrei também que às vezes a gente só precisa do exercício de recuar o coração do lugar onde as ondas quebram, brincar um pouco com o efeito do zoom, olhar de fora, olhar de longe, para ter outra perspectiva do tamanho do problema, da intensidade dele, do seu desenho.

Alguns problemões não passam de probleminhas quando olhados sob a perspectiva do vasto mar, incomensurável mar, que nós somos. E das ondas todas que já encaramos.

[Ana, a entendedora dos assuntos!rs]

quarta-feira, 21 de abril de 2010


"Igualzinho ao que acontece com todas as pessoas, num trecho ou outro da estrada, eu já senti tanta dor que parecia que os golpes haviam me quebrado toda por dentro. Não sabia se era possível juntar os pedaços, por onde começar, nem se o cansaço me permitiria movimentos na direção de qualquer tentativa. Quando o susto é grande e dói assim, a gente precisa de algum tempo para recuperar o fôlego outra vez. Para voltar a caminhar sem contrair tanto os ombros e a vida. Um espaço para a gente quase se reinventar.

O tempo passa. O fôlego retorna. Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega."

(Ana Jácomo)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Mutante...

'Houve um momento em que o aperto foi tão extremo e aflitivo
que eu imaginei não conseguir suportar. Eu nem sabia que,
exatamente naquele ponto, a natureza tecia asas para mim, em silêncio,
mas foi lá que senti que eu era feita também para voar.
O aperto, entendi somente depois, era uma espécie de morte,
um prenúncio da transformação, uma ponte que me levaria a outro modo de ser'



[Ana Jácomo]

domingo, 18 de abril de 2010


Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É permitir que voe sem que nos leve junto. É aceitar que a esperança há muito se desprendeu do sonho. É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais.

Ana Jácomo

quinta-feira, 15 de abril de 2010



"O coração da gente gosta de atenção. De cuidados cotidianos. De mimos repentinos. De ser alimentado com iguarias finas, como a beleza, o riso, o afeto. Gosta quando espalhamos os seus brinquedos no chão e sentamos com ele para brincar. E há momentos em que tudo o que ele precisa é que preparemos banhos de imersão na quietude para lavarmos, uma a uma, as partes que lhe doem. É que o levemos para revisitar, na memória, instantes ensolarados de amor capazes de ajudá-lo a mudar a freqüência do sentimento. Há momentos em que tudo o que precisa é que reservemos algum tempo a sós com ele para desapertá-lo com toda delicadeza possível. Coração precisa de espaço."


"Não é preciso agendar, entrar em fila, contar com a sorte, acordar cedo para pegar senha: a possibilidade de recomeço está disponível o tempo todo, na maior parte dos casos. Não tem mistério, ela vem embrulhada com o papel bonito de cada instante novo, essa página em branco que olha pra gente sem ter a mínima ideia do que escolheremos escrever nas suas linhas.
O que é preciso mesmo é coragem para abrir o presente."


quarta-feira, 14 de abril de 2010

'A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho
dos apertos. A gente precisa é de um olhar fresco, que não envelhece,
apesar de tudo o que já viu.'